
Prof. Dr. Helio Dias
SÃO PAULO [ ABN NEWS ] — O Instituto para Valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP) considera que a incorporação da Inteligência Artificial (IA) nos sistemas educacionais deixou de ser uma agenda prospectiva para se tornar uma prioridade estrutural e imediata de política pública.
O estudo recente do Conselho Nacional de Educação (2026) de Portugal evidencia, com clareza, que a IA pode representar simultaneamente um vetor de transformação educacional e um fator de ampliação das desigualdades, dependendo das decisões institucionais adotadas.
1. A IA redefine o próprio conceito de sistema educacional
A principal conclusão do estudo é inequívoca:
a IA não deve ser tratada como ferramenta isolada, mas como ecossistema integrado, composto por cinco pilares estruturantes:
. Infraestrutura digital
. Aplicações pedagógicas e literacia em IA
. Formação docente
. Currículo e proficiência em IA
. Ética e governança
Essa abordagem sistêmica rompe com políticas fragmentadas e exige uma estratégia nacional coordenada, com forte articulação entre educação, ciência e inovação.
2. Infraestrutura digital: condição necessária, não suficiente
O estudo demonstra que a infraestrutura digital é o alicerce de todo o processo , incluindo:
. conectividade robusta (níveis mínimos elevados de banda)
. dispositivos adequados para alunos e professores
. plataformas integradas e interoperáveis
. sistemas nacionais de dados educacionais
Destaca-se ainda a necessidade estratégica de:
. adoção de software aberto e auditável
. de uma cloud nacional educacional
. uso de edge computing para reduzir latência e ampliar autonomia
👉 Conclusão crítica do IVEPESP:
Sem soberania digital e controle sobre dados educacionais, países tornam-se dependentes de plataformas estrangeiras, comprometendo sua autonomia pedagógica e científica.
3. IA na aprendizagem: ganhos reais, mas riscos comprovados
A evidência empírica apresentada no estudo mostra um cenário equilibrado:
Benefícios:
. personalização do ensino
. aumento da motivação dos alunos
. apoio ao docente na preparação e avaliação
. desenvolvimento de competências como pensamento crítico e resolução de problemas
Riscos:
. dependência cognitiva
. superficialidade na aprendizagem
. perda de desempenho em avaliações sem uso de IA
. ampliação de desigualdades digitais
O relatório da OCDE citado indica que ganhos iniciais podem desaparecer em contextos de avaliação tradicional.
👉 Posição do IVEPESP:
A IA deve atuar como instrumento de ampliação da inteligência humana, nunca como substituto do esforço cognitivo.
4. Literacia em IA: uma nova alfabetização
O estudo propõe que a literacia em IA seja estruturada em quatro dimensões fundamentais :
. Literacia digital
. Pensamento computacional
. Literacia crítica de dados
. Ética em IA
. Essa abordagem eleva a IA ao mesmo nível de importância de leitura e matemática.
👉 Conclusão do IVEPESP:
Estamos diante de uma nova forma de alfabetização —
quem não compreender IA será funcionalmente excluído da sociedade contemporânea.
5. Formação docente: o maior gargalo do sistema
. Um dos dados mais preocupantes do estudo:
. Apenas cerca de 12% dos docentes possuem formação específica em IA
O documento aponta a necessidade de:
. formação contínua obrigatória
. microcredenciais em IA
. comunidades de prática
. integração com universidades e centros de pesquisa
👉 Diagnóstico do IVEPESP:
A transformação educacional não será limitada pela tecnologia —
será limitada pela capacidade de formação dos professores.
6. Currículo: IA como competência estruturante
O estudo recomenda:
. introdução de IA desde o ensino básico
. disciplinas específicas no ensino médio
. diretrizes claras no ensino superior
. alinhamento com padrões internacionais (UE, OCDE, UNESCO)
Com ênfase central em:
. autonomia cognitiva
. pensamento crítico
. capacidade de interpretação
👉 Alerta do IVEPESP:
A maior ameaça da IA não é tecnológica —
é a atrofia da capacidade de pensar.
7. Ética, governança e soberania educacional
O estudo destaca riscos centrais:
. indevido de dados
. enviesamento algorítmico
. opacidade dos modelos
. substituição indevida do papel docente
E recomenda:
. transparência algorítmica
. supervisão humana obrigatória
. políticas nacionais de ética em IA
. mecanismos de auditoria e rastreabilidade
👉 Posicionamento do IVEPESP:
Não existe política de IA na educação sem política de soberania digital.
8. Recomendações estratégicas do IVEPESP para o Brasil
Com base no estudo analisado, o IVEPESP propõe:
1. Criação de uma Infraestrutura Nacional de IA Educacional
. cloud educacional brasileira
. plataformas integradas
. dados educacionais estruturados
2. Programa Nacional de Formação em IA para Professores
microcredenciais
. formação contínua obrigatória
. parceria com universidades
3. Introdução da Literacia em IA desde o Ensino Básico
. currículo progressivo
. foco em pensamento crítico e ética
4. Desenvolvimento de Modelos de IA Educacionais Nacionais
. treinamento com dados brasileiros
. alinhamento ao currículo nacional
. proteção da língua portuguesa
5. Marco Regulatório de IA na Educação
. critérios éticos
. regras de uso
. vedação de decisões automatizadas sem supervisão humana
9. Conclusão
A IA inaugura uma nova fase da história da educação.
A questão central não é mais se ela será incorporada, mas como.
O estudo analisado demonstra que:
. a IA pode elevar a qualidade da aprendizagem
. pode reduzir desigualdades — ou ampliá-las
. pode fortalecer o papel do professor — ou enfraquecê-lo
Tudo dependerá da qualidade das políticas públicas adotadas.
👉 O Brasil precisa decidir se será:
. usuário passivo de tecnologias externas, ou
. protagonista na construção de um novo modelo educacional baseado em IA.
Prof. Dr. Helio Dias
Presidente do IVEPESP