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Andreia Donadon
MARIANA MG [ ABN NEWS ] — O dia 10 de abril de 2026 foi marcante para a Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, com a inauguração da exposição do artista plástico Newton Godoy.
A cerimônia ocorreu em um clima intimista, reunindo familiares, artistas, acadêmicos e amigos do artista. Em 2024, propus a revitalização do porão da Casa de Cultura, uma ideia que foi prontamente aprovada pela diretoria. Transformar aquele espaço, antes um depósito, em uma galeria de arte foi um desafio que envolveu limpeza, pintura, instalação de luzes e painéis. Embora o trabalho tenha sido longo e árduo, a conquista trouxe-me serenidade e um profundo sentimento de dever cumprido.
Sem mais delongas, compartilho o texto do presidente da Casa de Cultura, Prof. Dr. José Benedito Donadon-Leal, apresentado na vernissage:
Cumprimentos aos presentes: o artista e seus familiares, acadêmicos, amigos.
O belo na obra de arte, Newton, é um efeito de leitura, algo inscrito na subjetividade discursiva e dada nos domínios do sujeito que lê ou que produz a obra. O belo não é propriedade intrínseca do objeto de arte, mas um jogo de encaixe dos discursos de sedução, estéticos, portanto, construídos nos universos de experiência do sujeito exposto à obra. Um poema, um conto, um romance, uma tela, um entalhe, uma canção, uma sinfonia, uma ópera, uma peça, um filme, quando lidos, são julgados de forma subjetiva e única numa escala de valores discursivo-estéticos em proximidade ou distanciamento dos valores afins aos constitutivos dos universos de experiência artística do leitor.
Daí, em inquéritos da conversa informal cotidiana, a obtenção de respostas não vão além das apreciações ditas superficiais das obras, notadamente relatadas a partir dos parâmetros “gostei / não gostei”; “me agrada / não me agrada”.
A arte, no entanto, é a arte de burlar as linearidades das harmonias canonizadas, sob o risco de cair na ceara da fantasia ou da obviedade ululante. Fantasia e obviedade são duas pontas de uma mesma linha de conduta artística na empreita deliberada de quebra das regularidades harmoniosas, coesas e coerentes dos tratados científicos. O acontecimento da arte está na expressão de um sentimento, metonímia produzida no acoplamento de uma ideia ativada pela obra a uma estacionada na experiência.
A arte que Newton Godoy traz para esta exposição supera os traços do desenhista técnico, engenheiro civil, porque se apropria desse engenheiro que tem noção científica de perspectiva, de profundidade, de vazios, de vazados de ondulações, de espelhamento e luz e sombra. O salto do desenhista para o artista foi suave, porque Newton jogou nas suas telas o pulo do gato que se espera do artista – jogou poesia no pincel. Uma cidade iluminada não é mais apenas uma cidade; é um poema iluminado a nos iluminar a imaginação; uma igreja, um seminário não são apenas monumentos arquitetônicos, são poemas virtuosos a nos convidar à reflexão.
Se a expressão “A Arte Salva”, usada por terapeutas, precisasse de comprovação, Newton Godoy é essa comprovação: dentro de um corpo fragilizado existe uma alma artística intensa e radiante de vida, capaz de impulsionar inspiração que joga nas telas o belo da estética do mundo, disforme, em movimento incessante e em paleta inesgotável de cores. Cada pincelada uma metonímia, cada quadro um universo a ser explorado pela imaginação.
Newton Godoy, sua obra engrandece a história artística de Mariana. Sinta-se no panteão dos grandes como Servas, Mestre Ataíde, Erna Antunes, Hélio Petrus, Rinaldo Urzedo, Aloísio Morais, Olga Tukoff, Andreia Donadon, Elias Layon, Zizi Sapateiro, Preta Layon, Edésio, Alvinho. Parabéns, Newton, você faz parte da história artística de Mariana!
J.B. Donadon-Leal
Pós-Doutor em Semiótica e Presidente da AML

